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quinta-feira, 3 de março de 2016

Médico de Goiânia cria plano de saúde e cobra grávidas por pré-natal feito no SUS


Um médico de Goiânia estava cobrando consultas de pré-natal que deveriam ser de graça. A consulta, pelo SUS - o Sistema Único de Saúde - era vendida por R$ 200, que deveria ser de graça.

Com uma câmera escondida, um produtor do jornal Bom Dia Brasil da Rede Globo acompanhou uma grávida em uma consulta. Ela tinha horário marcado com o ginecologista Divino Anselmo Orlando, que é um dos donos do hospital.
“Eu tenho dois planos: eu tenho como fazer a cesariana particular. Eu tenho como fazer a cesariana pelo SUS também, sem você ter que ir no SUS”, disse o médico em uma consulta.
Durante a consulta, o médico disse que se a paciente escolhesse fazer a cesariana pelo SUS, teria que pagar um pacote.
“É um pacote fixo de nove consultas que a pessoa paga durante o pré-natal. Se por ventura você quiser entrar nesse plano, eu posso te enquadrar. A consulta é R$ 200, né”, disse o médico.
Ele diz que o pagamento para o "pacote" de consultas feitas pelo SUS, só poderia ser feito em dinheiro vivo.
O pagamento fica acertado para o dia seguinte. Como combinado, R$ 1,8 mil em dinheiro.
O Ministério Público está investigando o caso e pediu pra Secretaria de Saúde de Goiânia fazer uma auditoria no hospital. Eles querem saber se o médico recebeu duas vezes pelos atendimentos. Primeiro de pacientes e depois do Sistema Único de Saúde.
Em um recibo entregue ao Ministério Público a paciente que fez a cesariana pelo SUS pagou mais R$ 900 para ficar num apartamento em vez da enfermaria.
“Há indícios claros de que ao se portar nessa conduta, de induzir o paciente a pagar parte do tratamento e o restante ser custeado pelo SUS, ele poderia estar incorrendo num crime, né, descrito no código penal, que é o crime de concussão’, explica Carlos Eduardo Itacaramby, representante do SUS de Goiânia.
O ginecologista já responde a um processo judicial por negligência na morte de um bebê. A mulher diz que pagou ao médico R$ 2 mil pelo parto.
“Paguei tudo particular e ele me deixou na sala do Sus. Eu paguei pra minha mãe ficar comigo, pra me acompanhar. Não tinha uma cadeira sequer pra ela sentar”, conta Márcia Ribeiro da Cruz, auxiliar de serviços gerais.
A equipe de reportagem tentou conversar com o médico, mas ele não quis falar. O advogado negou as acusações.
“Eu não tenho conhecimento. Especialmente esse que você está me falando de cobrança em duplicidade. Até hoje ele nunca foi notificado a respeito disso”, afirmou Wendel do Carmo Santana.
Bom Dia Brasil: Plano SUS existe?
Carlos Eduardo Itacaramby, representante do SUS de Goiânia: Na verdade não. É um sistema público de saúde. É um sistema previsto no artigo 196 da constituição que garante a todos. A todos, indistintamente, o acesso à saúde
O Conselho Regional de Medicina também está investigando a conduta do médico, que pode responder por improbidade administrativa e peculato, que é o desvio de recursos públicos.
A administração do Hospital Monte Sinai, onde o médico é um dos donos, não comentou.